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Secretaria de Estado da Saúde reforça que não há registros da doença em Santa Catarina; especialista destaca importância do monitoramento:
A Organização Mundial da Saúde (OMS) segue monitorando os riscos de expansão do vírus Nipah após novos alertas emitidos na Índia. Apesar da atenção internacional, a Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina (SES-SC) afirma que não há qualquer alteração no cenário brasileiro e que o Estado mantém vigilância permanente, em alinhamento com o Ministério da Saúde e organismos internacionais.
Segundo a infectologista Dra. Mirian de Freitas Dal Ben Corradi, as chances de o vírus provocar uma pandemia no Brasil atualmente são muito pequenas. “O risco hoje é mínimo. Não se trata de um vírus novo. Ele é conhecido desde 1999, quando houve um surto na Malásia. O alerta é importante, assim como o monitoramento e a vigilância global”, esclarece a médica.
A Dra. Mirian é graduada em Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais, com residência médica pela Universidade de São Paulo, além de mestrado e doutorado em Doenças Infecciosas e Parasitárias pela USP. Atualmente, atua no Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Sírio-Libanês e integra entidades internacionais de referência na área de epidemiologia e controle de infecções.
O vírus Nipah é uma zoonose, transmitida de animais para humanos, pertencente à família Paramyxoviridae. Os principais reservatórios naturais são morcegos frugívoros, que se alimentam de frutas. A transmissão pode ocorrer pelo consumo de frutas contaminadas, ingestão da carne de animais infectados, como morcegos, porcos e outros mamíferos, ou pelo contato direto com secreções de pessoas doentes, como saliva e fluidos corporais, especialmente em ambientes de cuidado e assistência à saúde.
De acordo com a OMS, alguns países da Ásia reforçaram protocolos de segurança em aeroportos e cerca de 110 pessoas estão em quarentena em áreas afetadas, como medida preventiva. Ainda assim, o risco de disseminação global segue sendo considerado baixo.
A doença pode se manifestar de formas variadas, desde quadros assintomáticos até casos graves. Entre os sintomas mais comuns estão febre, dor de cabeça, vômitos e mal-estar. Em situações mais severas, a infecção pode evoluir para convulsões e encefalite, “inflamação do cérebro” considerada a principal complicação e responsável pelos casos mais graves, que podem levar a sequelas permanentes e até à morte. O vírus se multiplica rapidamente, e o comprometimento neurológico é o maior fator de gravidade.
Atualmente, não há tratamento antiviral específico nem vacina contra o vírus Nipah. O atendimento aos pacientes é baseado em suporte clínico e no tratamento das complicações. Por isso, autoridades de saúde reforçam a importância da vigilância contínua, do diagnóstico precoce e das medidas de prevenção.
Apesar do alerta internacional, a SES-SC reafirma que não há casos registrados no Brasil e que o acompanhamento da situação segue de forma constante, dentro das diretrizes nacionais e internacionais de vigilância em saúde.
Por: Carlos César / Super News.